A morte ridiculariza

Douglas Nogueira

Existe uma estratégia que ridiculariza todos os atos ilícitos e desonestos do homem, a morte. Sua ganância desvairada, o seu egoísmo e a sua grandiosa falta de compreensão e amor ao próximo são enterrados a sete palmos abaixo do chão e os homens que ficam refletem que tal luta insensata e inconsequente daquele que simplesmente será comido por vermes, foi inútil e sem valor.
A morte é algo sobrenatural e foi a melhor e mais linda estratégia criada pelo dono da vida, pois o que adianta toda a insensatez que um homem pratica quando vivo, se ao morrer deixa apenas a lembrança de sua cruel passagem pela Terra?
É de ressaltar que nada somos do que além de uma simples matéria, na qual nem os urubus e corvos têm a intenção de se alimentar.
Nossa carne é a pior entre todos os animais, segundo pesquisas médicas, possuímos entranhas amargas e com certeza esse deve ser o grande motivo pelo qual apodrecemos com impressionante rapidez após falecermos, por sermos seres teoricamente matérias imprestáveis. E então por que tanta ganância, covardia, falta de amor e compreensão, arrogância se exaltando pelo que não possuímos? Por quê?
Nós homens guerreamos a séculos pelo poder, mas por qual poder? Qual o motivo de tanta guerra? Em função do quê? Iremos chegar aonde? Se a morte já com sua espada afiada e pronta a nos ridicularizar, nos espera logo ali no fim da vida.
Conflitos políticos, batalhas entre nações e povos, desentendimentos de todas as proporções e formatos, em busca de algo que não existe. Será que a mente humana é tão tola, ao ponto de não para pensar que a vida é apenas uma passagem transitória? E que o melhor a fazer é nos unir e amarmos uns aos outros para que possamos deixar escrito da melhor forma a nossa passagem como seres viventes? Será que isso é algo tão difícil a ser infiltrado na mente humana?
Quando a ganância e o desespero por poder e dinheiro aflige um determinado local, como uma empresa, por exemplo, onde pessoas em busca do nada lutam vinte e quatro horas sem cessar, a morte por sua vez rapidamente ridiculariza todo esforço banal, retirando dali alguém de forma desfalecida e inesperada. E todos então assustados refletem, no entanto, somente por algum tempo ou dias, pois passado a euforia dos sentimentos tudo recomeça outra vez, ganância por dinheiro, covardia, falta de amor e compreensão, uma lista negra de atitudes negativas a imagem do homem.
Logicamente que enquanto vivos, devemos lutar e batalharmos por nossos ideais e procurar conquistá-los, todavia sempre com dignidade, caráter e muita paciência sem querer fazer do próximo uma escada rumo ao sucesso.
A filosofia e a ciência dizem que somos seres racionais, será? Somos incompreensivos, gananciosos, orgulhosos, vivemos pelo foco dinheiro e abandonamos o foco amor e além do mais nos esquecemos que nosso status de poder aqui na Terra é apenas passageiro, já que a morte nos aguarda. Os animais tidos como irracionais da mesma espécie, no entanto, se amam e compreendem-se uns aos outros, velam e lamentam a morte de um (a) parceiro (a) e procuram buscar apenas aquilo que lhes fazem bem.
Parece que essa não reflexão do ser humano para com sua passagem aqui na Terra, permanecerá ativa por longas datas. E pior, nos últimos anos a luta por poder inútil e a ganância por dinheiro aumentou significativamente, entretanto a morte vem tentando ensinar a nós homens a vivermos corretamente, mas nem ela com seus ensinamentos consegue, hoje, tirar a mais profunda e ridícula tolice que se instalou na mente humana.
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Douglas S. Nogueira, Técnico de Planejamento da Manutenção
BLOG: www.douglassnogueira.blogspot.com
E-mail: [email protected]

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