Piracicaba ficou quatro meses com qualidade do ar insalubre em 2024

Informação é da palestrante Nathalia Nascimento, professora da Esalq/USP, durante o lançamento da Frente Parlamentar de Combate à Crise Climática – foto: Divulgação

A Câmara Municipal lançou, na sexta-feira (21), a Frente Parlamentar de Combate à Crise Climática. Criada por iniciativa da vereadora Silvia Morales (PV), do mandato coletivo “A Cidade é Sua”, a frente terá como foco das atividades, inicialmente, a busca de promoção de políticas públicas para mitigar e também de adaptação às mudanças climáticas.  “Acredito que combater não será mais possível. As mudanças já são uma realidade. Precisamos saber como enfrentar isso”, afirmou Sílvia.

Um dos dados alarmantes apontados no evento foi passado pela palestrante Nathalia Nascimento, professora da Esalq/USP. Ela afirmou que, em 2024, Piracicaba ficou quatro meses seguidos com a qualidade do ar insalubre para a vida humana. “Estudos apontam que, quando ficamos por muito tempos expostos a um ar insalubre, a expectativa de vida por reduzir em dois anos e meio”, disse. A fala foi feita durante a palestra “Mudanças do Clima em Piracicaba: Crise e Emergência”.

A Frente Parlamentar foi criada por meio do Projeto de Decreto Legislativo 35/2024, idealizado por Sílvia Morales (PV). Este ano, o projeto passou por uma atualização, com a aprovação do Projeto de Decreto Legislativo 4/2025 que redefiniu sua composição. Com mais quatro vereadores convidados, a frente hoje é composta, além da sua idealizadora, por Felipe Jorge Dário (Solidariedade), o Felipe Gema; Gesiel Alves Maria (MDB), o Gesiel de Madureira; Rai de Almeida (PT) e Zezinho Pereira (União Brasil).

O evento de lançamento contou com a participação da sociedade civil e autoridades municipais e da região. Durante a solenidade, os integrantes da mesa dos trabalhos destacaram a urgência do tema. O secretário municipal de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, Maurício Perissinotto, ressaltou a atuação da pasta em programas como o de recuperação ambiental, o pagamento por serviços ambientais, além do foco na educação. “Precisamos plantar sementes nas crianças, que são o nosso futuro”, afirmou.

O diretor-presidente da Fundação Agência das Bacias PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), Sérgio Razera, enfatizou a gravidade da crise climática. “As mudanças climáticas já afetam nosso cotidiano. Precisamos de grandes e pequenas iniciativas para enfrentar esses desafios. Uma ação pequena, pontual, faz parte de um conjunto completo”, afirmou.

PALESTRA – Após a cerimônia, os presentes assistiram a um vídeo da Rede Mandatos C. Em seguida, houve a palestra da professora Nathalia Nascimento que, além da informação sobre a qualidade do ar em 2024, trouxe outros dados alarmantes. Na década de 1960 os primeiros sinais de mudanças climáticas surgiram no Brasil e, a partir de 2020, o aumento de temperatura global ultrapassou o limite de 1,5°C. “Já estamos em um aumento superior a 2°C, que gera múltiplas consequências para o planeta. A crise climática tem um impacto profundo sobre a vida humana, a fauna, a flora e as florestas”, afirmou Nathalia.

Segundo a professora, os gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, metano e o  óxido nitroso são os principais responsáveis por essa transformação no clima. “Os gases que emitimos hoje não tem impacto imediato, mas seus efeitos podem se manifestar em até 40 anos. Estamos colhendo as consequências de ações tomadas nas décadas passadas e hoje estamos batendo recordes de emissões. O legado que estamos deixando é amargo”, acrescentou.

Entre 2010 e 2025, picos de temperatura foram registrados, sendo que em 2014 houve um aumento expressivo. “Desde então, as condições climáticas estavam relativamente equilibradas até 2023, quando as temperaturas ultrapassaram os 38°C. Vale ressaltar que temperaturas acima de 35°C são prejudiciais à saúde humana. Bairros como Cidade Alta, Centro, Cidade Jardim, Monte Líbano, Paulicéia têm experimentados aumento nas temperaturas de superfície, que chegam a 77°C. São os bairros mais quentes de Piracicaba”, explicou.

Diante desse cenário, Nathalia apresenta o que é possível ser feito. “O principal esforço é o de arborizar as cidades. As árvores desempenham um papel fundamental na regulação das temperaturas”, finalizou.

Em seguida, os presentes também assistiram a um vídeo do secretário nacional do Meio Ambiente Urbano, Adalberto Maluf, com o tema “Estratégias de Mitigação e Adaptação”.

FRENTE ESTADUAL – O assessor do deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL), Raul Miranda, apresentou a palestra “Principais atividades organizadas pela Frente Parlamentar de Combate às Mudanças Climáticas”. Para ele, o financiamento de políticas públicas voltadas para o meio ambiente é um desafio gigante. “Outro desafio é a necessidade de mobilização popular dentro dessas políticas. Muitos projetos são aprovados e depois vetados pelo governo do Estado. Então, tem que ter pressão, mobilização popular”, disse..

Ele citou também o programa do Governo Federal Adapta Cidades, voltado para os municípios e que trabalha com quatro eixos: capacitação, orientação metodológica, informações e dados e orientações sobre acesso a investimentos e financiamentos. “Cabe aos estados aderirem e indicar cidades prioritárias para fazer parte do programa. São Paulo ainda não aderiu, dez estados já aderiram. Podemos pressionar para que essa adesão aconteça”, disse.

Encerrando as atividades, o assessor da deputada estadual Marina Helou (REDE), Carlos Henrique Oliveira, falou sobre ” as principais atividades organizadas pela Frente Parlamentar Ambientalista do Estado de São Paulo”, que existe desde 2019. “Foi criada junto com a sociedade civil e representantes das universidades para trabalhar com dados e informações. É um espaço democrático de participação e construção de propostas”, afirmou.

Antes do momento de interação com o público, o deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (PT), disse estar à disposição dos integrantes da frente para o que precisarem.

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