
Em 21 de março é comemorado o Dia Internacional das Florestas e, no dia seguinte, 22 de março, é celebrado o Dia Mundial da Água. As duas datas, criadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), são importantes para incentivar os debates e gerar consciência quanto à preservação dos recursos naturais.
Para o projeto “Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas”, que tem patrocínio da Petrobras, água e florestas têm uma relação direta e preservá-los é fundamental para combater e mitigar as mudanças climáticas.
O “Corredor Caipira” é realizado pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Esalq/USP). O patrocínio é da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Mudanças climáticas – De acordo com o engenheiro agrônomo Henrique Ferraz de Campos, coordenador técnico do “Corredor Caipira”, o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, intensificado pelo desmatamento, é uma das principais causas das mudanças climáticas.
“Há um processo histórico de desmatamento na nossa região, que continua, em que o carbono é retirado das florestas e enviado ao ar. Ao plantar florestas novamente, ocorre o processo inverso. Assim, conseguimos sequestrar, ou seja, tirar esse carbono que está no ar e colocá-lo novamente nos troncos, nos galhos, nas raízes das árvores e no solo. Por isso, é importante investir em agroflorestas e florestas”, aponta.
Outro ponto central para atenuar as mudanças climáticas é a relação com a água. Cada vez mais comuns, períodos de secas severas por um lado e, por outro, épocas com chuvas que causam grandes alagamentos e catástrofes, de acordo com especialista, têm relação com a cobertura vegetal.
“Quando um território possui florestas, a cobertura vegetal absorve muito mais a água no solo, o que faz com que as nascentes aumentem os seus volumes, os rios ampliem suas vazões, e isso diminui os riscos de secas, que cada vez geram mais adversidades, como problemas com o abastecimento público”, diz Henrique.
Relação entre floresta e água – De acordo com Henrique Ferraz de Campos, situações como os constantes desmatamentos vêm gerando a diminuição de águas em nascentes, o que traz à tona problemas hídricos e a necessidade de realizar reflorestamentos. “É comum pessoas com mais de 30 anos, que conheciam uma nascente desde criança, se depararem com o fato de que essa nascente tem menos água hoje ou até mesmo tenha secado totalmente”, afirma.
“Esse problema é solucionado quando plantamos florestas em torno dessas nascentes, quando restauramos, quando plantamos mais sistemas agroflorestais. Isso faz com que as nascentes voltem a ter mais água, minimizando esse problema da seca severa”, aponta Henrique.
Com a existência de solos florestais, que absorvem mais água, de acordo com o especialista, há uma menor probabilidade de, em períodos de chuva, acontecerem inundações e catástrofes, como as que têm ocorrido atualmente. “Quando a chuva cai num solo exposto, degradado e compactado, essa água escorre rapidamente para os rios junto com terra e, infelizmente, junto com tudo que tem pela frente”, diz.
“As florestas contribuem com a minimização de problemas gerados pelas mudanças climáticas e relacionados à questão hídrica. Para isso, claro, é necessário plantar mais, ter florestas, de uma forma geral, mais presentes no nosso território”, conclui o coordenador técnico do “Corredor Caipira”.
SERVIÇO – Mais informações sobre o projeto “Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas” podem ser obtidas no site www.corredorcaipira.com.br ou pelas redes sociais: @corredorcaipira