Emoções positivas são antídotos

Alessandra Cerri      

 

Imagine que uma ameaça terrível paire por toda a humanidade e de repente, você começa a ter medo de sair de casa, medo de abraçar as pessoas que você ama e começa a ter medo do amanhã…. uma onda de sentimentos negativos e incertezas começam a tomar conta de você. Manter os bons pensamentos se torna quase impossível.

Pois bem, de acordo com Christophe André, podemos separar as emoções em agradáveis (positivas) e desagradáveis (negativas). Segundo ele todas as emoções são necessárias e úteis, desde que não sejam duradouras tempo demais a ponto de nos fazer perder a noção de sua finalidade. Ou seja, essa insegurança e medo são necessários para nos fazer tomar certas atitudes de prevenção e proteção. No entanto, a partir do momento que eles nos impedem de viver a vida e nos alegrar com coisas pequenas, eles passam a nos perturbar e, de acordo com o próprio psiquiatra, começam a envenenar nossa vida e nos dominar.

O grande problema é que as emoções negativas nos desgastam física e psiquicamente. Prejudicam nossa visão do mundo causando confusão, dificultam nossa concentração, podem nos impedir de raciocinar e tomar decisões, isso porque são vinculadas ao nosso ego, aos nossos traumas e medos inconscientes e, por isso muitas vezes nos apegamos e alimentamos esses sentimentos, nos tornando reféns dos mesmos.

Por esses motivos Dalai Lama afirma que as emoções negativas não precisam ser cultivadas para se desenvolverem, enquanto as positivas precisam sim ser exercitadas e cultivadas para fazerem parte de nossas vidas.

O que fazer então? Como parar sentimentos que fazem parte de nós? E como diminuir essas emoções que estão tão presentes em nossas vidas nessa pandemia?

A primeira coisa a fazer é reconhecer racionalmente a emoção, identificar as consequências e sensações que elas nos causam. Essa percepção depende de auto-conhecimento e consciência, os quais podem ser potencializados com técnicas de meditação e interiorização. Atitudes que nos tragam mais para o presente como contemplação do momento que de fato está vivendo (mente presente).

A partir disso, quando perceber que elas estão fazendo mal e não correspondem a realidade o melhor caminho, segundo o Christophe, é adotar “antídotos” que neutralizem essas emoções. Esses antídotos são nossas emoções positivas que podem ser estimuladas a surgir por meio de exercícios da gratidão (tire o negativo do foco, pensando em coisas, eventos e pessoas que você tem a agradecer); alegria consciente (lembre-se de momentos alegres e agradáveis que você tenha vivido, coloque ou cante uma música que você goste, assista um filme ou vídeo engraçado, leia um livro, faça exercícios físicos…) e prática da espiritualidade (que nos possibilita entender e confiar no futuro, aceitando que existem coisas que não estão em nosso controle).

Estamos vivendo um momento estressante e constantemente somos bombardeados com notícias que nos fazem mal e podem ser gatilhos para emoções que nos prejudicam. Reconhecer essas emoções e não nos fixarmos nelas depende de constante auto monitoramento. Depende, também, de usar a razão para acessar emoções positivas. Claro que não é muito fácil, mas                  é possível, desde que estabeleçamos em nossa rotina atividades que nos ajudem a fortalecer nosso racional e nosso auto-conhecimento.

Hoje finalizo com uma frase de Eckhart Tolle “A mente é uma excelente ferramenta se for bem utilizada. Quando usurpada, no entanto, ela pode ser muito destrutiva.”. Até a próxima, namastë!!!

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Alessandra Cerri é sócia-diretora do Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba (Clap); mestre em Educação Física, pós-graduada em Neurociência e pós-graduada em Psicossomática.

 

 

 

 

 

 

 

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